Netflix cancela The OA e revolta fãs na internet

Segundo site Variety, produção não terá terceira temporada

A semana não começou bem para os fãs da série The OA, produzida pela Netflix. Tudo porque segundo informações do site americano Variety a produção chegou ao fim e o streaming não fará uma terceira temporada. A notícia rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e o assunto virou um dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter, com os adoradores de The OA simplesmente revoltados, como você pode perceber por aqui…

 

A série lançada em 2016 é criação da americana Brit Marling, que dá vida à personagem Prairie Johnson. Ela se manifestou nas redes sociais por meio de uma carta, causando ainda mais revolta e tristeza nos fãs:

 

 

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the end of #theoa “🐙🍷😭🙏🏽🔑” – last text to Grandma Vu

Uma publicação compartilhada por Brit Marling (@britmarling) em

– Queridos fãs de ‘The OA’

Alguns de vocês já devem saber ou talvez alguns de vocês estejam sabendo através desta carta que a Netflix não vai dar continuidade à The OA. Zal e eu estamos profundamente tristes por não terminar essa história. Assim que soube dessa notícia, chorei muito. Assim como um dos nossos executivos na Netflix que esteve conosco desde os primeiros dias quando estávamos desenhando o porão de Hap no chão de nosso escritório de produção no Queens. Tem sido uma intensa jornada para todos que trabalharam e cuidaram dessa história.

Alguém me perguntou uma vez num painel: “por que você é tão obcecada com ficção científica?”. Eu não tinha percebido que era “obcecada” ou mesmo que a maioria das narrativas que tinha escrito até ali era dentro do gênero de ficção especulativa. Fui pega de guarda baixa. A pergunta tinha soado um pouco como acusação de alguém que não gostava do gênero, então acho que só disse algo como: “ahn… é divertido construir um mundo?”. Mas tenho pensado muito sobre aquela pergunta desde então e acho que a resposta mais próxima da verdade é essa:

É difícil ser inspirada a escrever histórias sobre o mundo “real” quando nunca se sentiu livre neste mundo. Como uma mulher escrevendo personagens para mim mesma e para outras mulheres, sempre me pareceu como se as estradas pavimentadas para viajar numa narrativa são limitadas. Talvez um dia eu esteja envolvida o suficiente como autora para pavimentar minhas próprias estradas na “realidade” (Eles Gestante!), mas até aqui me senti muitas vezes frustrada. Posso escrever sobre as poucas mulheres “no topo”, mas então vou estar perpetuando a mesma hierarquia que nos oprime (e simplesmente pedindo para desviar a opressão para outra pessoa). Posso escrever sobre a grande maioria das mulheres no fundo econômico, mas o poder de movimentar imagens e atores carismáticos muitas vezes glamorizam ou perpetuam os mesmos estereótipos que filmes esperam criticar. Posso escrever sobre mulheres que se autodepreciam que expõem as abundantes desigualdades entre os gêneros em troca de uma boa risada, mas então, como Hannah Gatsby apontou em sua brilhante história Nanette, estou, de alguns modos, trocando minha humilhação por meus cheques de pagamento e pela chance de conseguir entrar.

Ficção científica limpou este mundo “real” como um quadro mágico. Ficção científica disse “imagine qualquer coisa em seu lugar”. E assim fizemos. Nós imaginamos que o coletivo é mais forte que o indivíduo. Imaginamos que não existe herói. Imaginamos que as árvores de São Francisco e um polvo gigante pacífico tinham vozes que podíamos entender e deveríamos escutar. Imaginamos humanos como uma espécie entre muitas e não necessariamente a mais inteligente ou mais desenvolvida. Imaginamos movimentos que juntaram pessoas improváveis no mesmo cômodo, fazendo elas se moverem, fazendo elas ficarem dispostas a arriscar vulnerabilidade pela possibilidade de pisar em outro mundo.

É isso que “The OA” tem sido para Zal e eu e todos os outros artistas que se juntaram a nós. A chance de pisar em outro mundo e ser livre nele. Somos muito gratos à Netflix e às pessoas com quem trabalhamos para tornar possível fazer Parte I e Parte II. Somos orgulhosos dessas 16 horas descompromissadas. Na maior parte, milhões de milhões de vocês nos deu este senso de orgulho por assistir – com comentários que deixaram, as artes que fizeram, as teorias no Reddit que espalharam, os movimentos que fizeram em praças públicas, quartos, boates e quintais por todo o mundo.

Enquanto não podermos terminar essa história, posso prometer a vocês que contaremos outras. Não descobri nenhum outro mecanismo de enfrentamento eficaz para estar viva no antropoceno. E talvez, de alguns modos, tudo bem não concluir esses personagens. Steve Winchell estará suspenso no tempo nas nossas imaginações, evoluindo infinitamente, para sempre correndo atrás e finalmente alcançando a ambulância e OA.

Com amor,

Brit.

Agora só o tempo dirá o que vai acontecer com a produção, já que sabemos que essa pressão do público surtiu efeito outras vezes e fez com que produções continuassem. Se você é fã de The OA, vai ter que torcer pra Netflix voltar atrás na decisão e dar sequência na produção. E se ainda não assistiu, clique aqui e confira as duas temporadas (aclamadas pela crítica).

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